<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[cronicamente]]></title><description><![CDATA[vivendo para comer e escrevendo sobre o que como]]></description><link>https://www.natms.com.br</link><image><url>https://www.natms.com.br/img/substack.png</url><title>cronicamente</title><link>https://www.natms.com.br</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 30 Oct 2026 10:32:55 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.natms.com.br/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[cronicasdocomer@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[cronicasdocomer@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[cronicasdocomer@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[cronicasdocomer@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[semanário #1 | escrever é inadiável]]></title><description><![CDATA[H&#225; muitos anos tenho vontade de escrever, voc&#234; sabe, mas n&#227;o tenho tido tempo.]]></description><link>https://www.natms.com.br/p/semanario-1-escrever-e-inadiavel</link><guid isPermaLink="false">https://www.natms.com.br/p/semanario-1-escrever-e-inadiavel</guid><dc:creator><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 30 Aug 2026 16:05:21 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; muitos anos tenho vontade de escrever, <a href="https://www.natms.com.br/p/comecar-de-novo"><span>voc&#234; sabe</span></a>, mas n&#227;o tenho tido tempo. Ou &#233; isso que digo a mim mesma depois de assumir mais compromissos do que deveria e me tornar incapaz de juntar palavras que fa&#231;am sentido nas madrugadas que reservei para faz&#234;-lo. Faz algumas semanas, antes de um desses compromissos, eu passeava pelo Copan quando entrei na livraria <a href="https://www.instagram.com/livrariamegafauna/"><span>Megafauna</span></a> e me deparei com o livro de cr&#244;nicas que Socorro Acioli, uma de minhas autoras favoritas, acabou de lan&#231;ar. <strong><a href="https://www.amazon.com.br/Amar-&#233;-inadi&#225;vel-Socorro-Acioli/dp/8542243145/ref=asc_df_8542243145?mcid=4e7c8b8af65c3ccc821e0565cedbcfa5&amp;tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=709857900435&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13661971002957706796&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=9197442&amp;hvtargid=pla-2488179334042&amp;psc=1&amp;hvocijid=13661971002957706796-8542243145-&amp;hvexpln=0&amp;language=pt_BR">Amar &#233; inadi&#225;vel</a></strong> &#233; o t&#237;tulo. Eu n&#227;o deveria t&#234;-lo levado, pois j&#225; estou lendo uns tr&#234;s livros ao mesmo tempo, mas compr&#225;-lo foi inadi&#225;vel. E, depois de ler as primeiras p&#225;ginas, escrever tamb&#233;m.</p><p>Em novembro do ano passado, escrevi sobre desistir do que eu queria fazer, para dar uma chance ao que poderia fazer da minha vida, sobre como isso n&#227;o deu certo. Coincid&#234;ncia ou n&#227;o, em janeiro deste ano, comecei a trabalhar como rela&#231;&#245;es p&#250;blicas e assessora de imprensa na <a href="https://www.instagram.com/tamitami.com.br/"><span>Tami Tami</span></a>, uma ag&#234;ncia de comunica&#231;&#227;o que se dedica a neg&#243;cios de gastronomia e hospitalidade, e a me aproximar do sonho de trabalhar com jornalismo gastron&#244;mico. &#192;s vezes, ainda tenho dificuldade de acreditar que essa &#233; a minha vida. Todos os meses, todas as semanas e, em algumas delas, todos os dias, eu conhe&#231;o uma pessoa incr&#237;vel, da gastronomia ou do jornalismo, ou recebo oportunidades de estar em lugares e momentos que nunca fui nem capaz de imaginar.</p><p>Compartilhar um pouco do que vivo no meu <a href="https://www.instagram.com/natms/">Instagram</a>, ainda que de forma ef&#234;mera, e me conectar com conhecidos e desconhecidos me fez querer aprofundar essas conversas, aqui, onde posso me expressar sem me preocupar com a quantidade de palavras, como em um di&#225;rio. Um di&#225;rio talvez seja ambicioso demais, mas um seman&#225;rio me parece poss&#237;vel. Come&#231;o, ent&#227;o, com tudo o que me atravessou ao longo da &#250;ltima semana.</p><div><hr></div><p>Eu prometi a mim mesma que reservaria o pr&#243;ximo domingo para retomar o controle da minha vida, que tendo a perder de tempos em tempos. Tenho trabalhado e sa&#237;do muito, dormido e treinado pouco e minha alimenta&#231;&#227;o&#8230; Meu congelador e geladeira, que eram cheios de comida preparada por mim e porcionada para cada refei&#231;&#227;o, est&#227;o praticamente vazios. Barrinhas de prote&#237;na e marmitas congeladas, antes reservadas para emerg&#234;ncias, viraram parte da minha rotina. E o meu corpo tem dado cada vez mais sinais de que preciso me reequilibrar.</p><p>At&#233; tentei recuperar pelo menos um pouco do controle no domingo passado. Tomei o caf&#233; da manh&#227; de que tanto gosto, caf&#233; coado com ovos mexidos, cremosos, servidos sobre fatias de p&#227;o de fermenta&#231;&#227;o natural que esquentei at&#233; que ficassem crocantes. Faltaram as frutas picadas, que como com canela em p&#243; e peda&#231;os de sementes de cacau torradas, mas elas tinham acabado e n&#227;o quis correr o risco de ir &#224; feira com fome. Compraria comida demais. Faxinei a casa e s&#243; ent&#227;o reparei que fazia um dia lindo, perfeito para correr ao ar livre. Decidi ir ao parque e a feira ficou para depois mais uma vez.</p><p>Eu havia sa&#237;do na noite anterior e dormido mal, ent&#227;o n&#227;o tinha esperan&#231;a alguma de que esse treino de corrida seria bom. Pelo menos seria feito. Para a minha surpresa, mais uma vez, eu corri em um ritmo melhor do que a m&#233;dia e, honestamente, n&#227;o sei como isso aconteceu. Talvez eu me cobre demais. Voltei para casa, ainda decidida a voltar ao controle, e fui direto &#224; feira, com fome. Eu havia combinado de encontrar amigos da ag&#234;ncia &#224; tarde e, se fosse r&#225;pida, daria tempo de garantir o m&#237;nimo de frutas para a semana; as verduras e legumes, teria que me contentar com o que viesse nas marmitas congeladas.</p><p>Cheia de sacolas nas m&#227;os, passei pelas barracas de pastel e caldo de cana, as &#250;ltimas da feira, que gritavam os sabores que ainda restavam. O cheiro de massa frita invadiu o meu nariz, minha boca encheu de &#225;gua e meu est&#244;mago reclamou do vazio. Resisti ao caldo de cana com lim&#227;o, mas o pastel especial de carne voltou comigo para casa.</p><p>Precisava ser um pastel especial, enorme? N&#227;o. Mas eu disse que a fome me fazia comprar mais comida do que deveria, n&#227;o disse?</p><p>Devorei o pastel e me arrumei para encontrar meus amigos na <a href="https://veja.wine">VEJA Comer &amp; Beber Wine Fest</a>, uma feira de vinhos organizada pela <a href="https://vejasp.abril.com.br">VEJA S&#227;o Paulo</a>, com vin&#237;colas de lugares diversos. Fui mais por divers&#227;o, mas tamb&#233;m para tentar educar um pouco meu paladar, que, para vinhos, se resume a gostar ou n&#227;o gostar, sem saber exatamente o motivo. Os discursos ensaiados pelos expositores pouco ajudaram na minha educa&#231;&#227;o. Eu adoraria saber como a mineralidade se traduz na minha boca e no meu nariz. Ela se sente na boca e no nariz? S&#243; na boca? Ou s&#243; no nariz?</p><p>J&#225; que ningu&#233;m explicava o vocabul&#225;rio do vinho (ou talvez eu n&#227;o fosse o p&#250;blico da feira), desisti de me educar e escolhi apenas descobrir do que gostava ou n&#227;o. Vinhos italianos me agradam, mas n&#227;o tanto quanto os alem&#227;es. Vinhos secos arranham minha garganta, prefiro evit&#225;-los. Vinhos licorosos me fazem pensar em sobremesas, uma pavlova de frutas vermelhas, mas s&#243; encontrei torta de chocolate e bolo gelado de coco. E vinhos demais me fazem desejar hamb&#250;rguer com batatas fritas.</p><p>Depois de avaliar todas as op&#231;&#245;es do shopping, n&#243;s os encontramos na <a href="https://www.instagram.com/icibrasserie/">Ici Brasserie</a>. A carne, que pedi ao ponto da casa, chegou &#224; mesa farta e suculenta, acompanhada de queijo e cebola caramelizada, em um brioche selado na chapa. As batatas fritas eram finas e crocantes, mas n&#227;o secas, e s&#243; senti falta de maionese para mergulh&#225;-las. Ainda sem pavlova por perto, optamos por terminar a noite experimentando um sorbet da <a href="https://www.instagram.com/italien_gelato/">Italien</a>, o meu de baunilha e chocolate com farofa doce. N&#227;o costumo gostar de sorbets, acho-os empedrados e aguados, mas esse tinha, para mim, a textura e o sabor perfeitos.</p><p>J&#225; na segunda, acordei cansada e a culpa &#233; do &#225;lcool, n&#227;o minha. Segundas s&#227;o dias em que trabalho de casa e, em teoria, tenho mais tempo para descansar ou passar pela minha lista de tarefas com calma, mas essa n&#227;o era uma segunda comum. No almo&#231;o, eu participaria de um evento e, por isso, tinha uma s&#233;rie de afazeres para dar conta antes de sair de casa. Ainda de pijama (eu me recuso a me arrumar para trabalhar quando estou em casa, &#233; um dos meus pequenos atos de rebeldia), organizei as tarefas da semana e comecei a fazer tudo o que precisava.</p><p>Acho engra&#231;ado perceber como as pessoas veem a minha vida, especialmente o meu trabalho, a partir do que publico no Instagram. Ningu&#233;m se divertiria ao me acompanhar em reuni&#245;es ou ao me ver digitando mensagens e textos para a imprensa por horas, todos os dias. Eu, pelo menos, acho que n&#227;o. Ent&#227;o, compartilho o que mais me fascina: o que como e bebo, a trabalho ou a lazer, salpicado com vislumbres das hist&#243;rias ou dos aprendizados que descubro ao conversar com quem trabalha nos restaurantes que frequento. Comer e beber &#233; parte do meu trabalho, mas n&#227;o &#233; o principal. E, sinceramente, nem &#233; o melhor - as hist&#243;rias s&#227;o.</p><p>Com algumas tarefas do dia feitas, corri para Pinheiros para ajudar em um evento para apresentar azeites de um de nossos clientes, a Costa d&#8217;Oro, a alguns cozinheiros. Era um almo&#231;o no <a href="https://www.instagram.com/mesa3_pastificio/">Mesa 3 Pastif&#237;cio</a>, da chef Ana Soares, com v&#225;rios outros chefs que acompanho h&#225; muito tempo. Enquanto servia azeites a todos e atuava como modelo de m&#227;o para os v&#237;deos, eu os ouvia falar sobre seus planos para o futuro e sobre as dificuldades de abrir e de manter um restaurante funcionando, a frustra&#231;&#227;o com o que fugia ao seu controle e a divers&#227;o com as situa&#231;&#245;es inusitadas do cotidiano. Partes da conversa me davam novas ideias de pauta ou de neg&#243;cios para meus clientes, que eu anotava no celular para que virassem tarefas depois.</p><p>Corri de volta para casa, organizei as ideias que surgiram durante o almo&#231;o e segui com o que j&#225; havia planejado fazer naquele dia. O tempo me escapou e, quando me dei conta, estava trabalhando fazia 12 horas. Eu realmente preciso retomar o controle da minha vida.</p><p>Na ter&#231;a-feira, percebi assim que acordei que seria melhor ficar sozinha. Eu ainda estava cansada, mal-humorada, e nem a perspectiva de trabalhar com meus amigos no escrit&#243;rio me animava. Contrariando o que sentia, fui mesmo assim e as duas primeiras horas de trabalho j&#225; foram t&#227;o cheias de problemas que comecei a chorar. E, por algum tempo, n&#227;o consegui parar. Quando finalmente me acalmei, minhas amigas me levaram para comer um doce. Fomos at&#233; a confeitaria da <a href="https://www.instagram.com/luizalaferconfeitaria/">Luiza Lafer</a>, onde vi um bolo lindo de lim&#227;o com coco. Quando pedi, por&#233;m, a atendente me disse que estavam montando uma encomenda grande, que levaria quase todos os bolos da vitrine. Sobraria um ou outro sabor, deliciosos, eu sei, mas n&#227;o eram o que eu queria.</p><p>&#201;, n&#227;o era o meu dia.</p><p>Por sorte, a confeitaria da <a href="https://www.instagram.com/viwakuda/">Vivianne Wakuda</a> tamb&#233;m fica perto do escrit&#243;rio. Ir a essa confeitaria &#233; sempre nost&#225;lgico para mim. Lembro que eu ia com minha m&#227;e &#224; pequena casa colorida que a Vivianne ocupava no bairro da Liberdade e ficava na fila por horas, &#224;s vezes, s&#243; para comer a choux de baunilha que ela vendia em alguns finais de semana. Comemorei quando ela abriu a loja em Moema, mais perto de onde eu morava, e experimentava novos doces a cada visita. Quando ela se mudou para Pinheiros, fiquei um pouco frustrada - por que essa concentra&#231;&#227;o toda de lugares gostosos em um mesmo bairro? -, mas pelo menos a ag&#234;ncia fica perto o suficiente para eu comer os doces de que tanto gosto de vez em quando.</p><p>Chegando l&#225;, como sempre, queria pedir tudo, mas escolhi uma fatia do triplo chocolate, bolo feito com uma massa de chocolate amanteigada, recheada com mousse de chocolate meio amargo e coberta com chantilly de chocolate, e um caf&#233; para acompanhar. Tamb&#233;m roubei um pedacinho da choux de creme de mascarpone e calda de goiabada das minhas amigas e, entre pequenas mordidas, goles e risadas, comecei a me sentir melhor. Na volta, levei uma mini choux de baunilha comigo, em homenagem &#224; nossa hist&#243;ria, mas tamb&#233;m para o caso de uma nova emerg&#234;ncia.</p><p>A ter&#231;a acabou mais leve e a quarta seguiu sem grandes acontecimentos. Escrevi e disparei <em>releases</em>, fiz convites a jornalistas e influenciadores e tomei um caf&#233; da tarde gostoso com uma jornalista querida na <a href="https://www.instagram.com/docedelaura/">Doce de Laura</a>, uma cliente especializada em doces cl&#225;ssicos, e dei a sorte de ter <a href="https://www.estadao.com.br/paladar/comida/bolo-fora-de-moda-volta-a-cena-gastronomica-conheca-o-martha-rocha/">bolo Martha Rocha</a>, que eu nunca tinha experimentado. Ele foi criado na d&#233;cada de 1950, inspirado em uma mulher que foi eleita Miss Brasil e concorreu a Miss Universo, e a receita tradicional &#233; feita com camadas de p&#227;o de l&#243; e suspiro intercaladas com doce de ovos, nozes, chantilly e fios de ovos. A croc&#226;ncia sutil do suspiro entre o bolo macio e o recheio cremoso &#233; deliciosa. De volta ao escrit&#243;rio, participei de uma reuni&#227;o com um potencial cliente que sonho em atender desde que me tornei assessora de imprensa. Eu quero ser a jornalista que faz as hist&#243;rias dele chegarem ao mundo. Torce por mim?</p><p>A quinta voltou a ser dif&#237;cil, mas eu precisava dar um jeito de sobreviver. De manh&#227;, a <a href="https://www.instagram.com/maturameat/">MaturaMeat</a>, empresa que desenvolve c&#226;maras de conserva&#231;&#227;o e matura&#231;&#227;o para carnes, peixes e charcutarias, ofereceria um almo&#231;o a chefs e jornalistas em parceria com o <a href="https://www.instagram.com/sushi.kuzuri/">Kuzuri Sushi</a>, um de seus clientes. Junto com o Sandro Giovannone, fundador da MaturaMeat e da <a href="https://www.instagram.com/spazio_laboratorio/">Spazio Lab</a>, eu tenho organizado esses eventos h&#225; alguns meses, sempre em restaurantes diferentes e foi muito interessante experimentar peixes e carnes maturados no contexto de uma culin&#225;ria japonesa mais tradicional. De tudo o que comemos, os meus pratos favoritos foram os feitos com carne maturada, o toast de l&#237;ngua de wagyu no p&#227;o de brioche com maionese kewpie levemente apimentada e massago <em>[ovas de capelim, um peixe pequeno de &#225;gua fria] </em>e o gyoza de wagyu servido com um molho que leva yuzu <em>[fruta c&#237;trica asi&#225;tica, a minha favorita dessa fam&#237;lia, ali&#225;s]</em>.</p><p>&#201; sempre divertido e interessante participar desses eventos com chefs, mas fico particularmente encantada quando h&#225; jornalistas presentes. Eu adoro conversar com eles sobre as suas carreiras, o que gostam e n&#227;o gostam de escrever, as hist&#243;rias que mais os marcaram&#8230; &#201; como ter acesso &#224; vida com que sonhei desde que soube que queria ser jornalista de gastronomia. Eu nunca trabalhei em grandes reda&#231;&#245;es de jornais e revistas e n&#227;o sei se terei essa experi&#234;ncia, mas posso imagin&#225;-la ao ouvir essas pessoas me contarem sobre suas vidas. Como me descobri apaixonada pela assessoria de imprensa, talvez isso baste.</p><p>Depois do evento, senti que finalmente poderia viver os sentimentos e vontades que me acompanharam durante a semana. Diversas pessoas me mandaram um evento no <a href="https://www.instagram.com/foradalei_cafe/">Fora da Lei</a>, um dos meus caf&#233;s favoritos, em que estudantes da Unicamp conduziriam uma pesquisa sobre o consumo de caf&#233;s especiais no Brasil (eu realmente virei a doida por caf&#233;). Quando pedi para participar, um dos pesquisadores disse que eles j&#225; tinham coletado as &#250;ltimas amostras de que precisavam e encerrariam as atividades.</p><p>De novo, n&#227;o.</p><p>Eu o agradeci e sentei em uma das mesas compartilhadas do sal&#227;o. Ele deve ter percebido a minha frustra&#231;&#227;o porque, poucos minutos depois, veio at&#233; mim dizendo que fariam uma &#250;ltima rodada de degusta&#231;&#227;o e senti minha sorte come&#231;ar a mudar. Provei todos os caf&#233;s, que eles disseram ser especiais, mas meu amigo e eu podemos jurar que um deles era extraforte ou tradicional. A Associa&#231;&#227;o Brasileira da Ind&#250;stria do Caf&#233; (ABIC) reconhece cinco categorias de qualidade do caf&#233;: extraforte, tradicional, superior, gourmet e especial. Os caf&#233;s extrafortes e tradicionais t&#234;m do&#231;ura e acidez muito baixas e amargor muito alto, tudo o que me &#233; desagrad&#225;vel e pouco associo a caf&#233;s especiais.</p><p>Talvez por causa da pesquisa, o Fora da Lei estava bem cheio para uma quinta &#224; tarde e n&#227;o quis trabalhar ali. Lembrei do <a href="https://www.instagram.com/aizomerestaurante/">Aizom&#234; Caf&#233;</a>, na <a href="https://www.instagram.com/japanhousesp/">Japan House</a>, que tamb&#233;m tem caf&#233;s selecionados e torrados pelo Cau&#227; Sperling, do Fora da Lei, e salgados e doces criados pelo <a href="https://www.instagram.com/rafael_aokii/">Rafael Aoki</a>, confeiteiro dos restaurantes Aizom&#234;. E, melhor ainda, uma &#225;rea externa reservada, onde eu poderia respirar. Enquanto seguia com as tarefas do dia, escolhi um caf&#233; que achei que combinaria com o Amatake, um doce inspirado em uma tradi&#231;&#227;o japonesa em que as pessoas escrevem desejos em peda&#231;os de papel e os amarram em ramos de bambu. Ele tem a forma de um bambu cortado e &#233; recheado com massa e creme ingl&#234;s de matcha e <em>insert</em> <em>[recheio gelificado]</em> de cambuci, envolvido por ganache de matcha e finalizado com &#225;gua de cambuci. Terminei o doce, o caf&#233;, os afazeres e segui para casa me sentindo um pouco melhor, mas ainda n&#227;o muito.</p><p>Era finalmente sexta-feira e demorei a sair da cama. S&#243; levantei &#224;s dez, quando n&#227;o podia mais adiar o trabalho. Por sorte, n&#227;o havia muito mais o que fazer al&#233;m de finalizar as atividades do almo&#231;o do dia anterior e organizar a ida de alguns influenciadores e jornalistas a clientes da ag&#234;ncia, tudo o que poderia fazer do celular. Pude, ent&#227;o, meio que me dar a tarde de folga. Eu precisava descansar.</p><p>Combinei de encontrar uma amiga em um lugar com bons caf&#233;s, mas pouca comida. Acabamos trocando-o por uma op&#231;&#227;o com bons caf&#233;s e muita comida, a <a href="https://www.instagram.com/pacpadaria/">PAC (Para Acompanhar o Caf&#233;)</a>, uma padaria em Perdizes que estava na minha lista de lugares para conhecer havia muito tempo. Em comemora&#231;&#227;o ao seu quarto anivers&#225;rio, ela criou um card&#225;pio especial em colabora&#231;&#227;o com o <a href="https://www.instagram.com/pedroforato/">Pedro Forato</a> (ex-<a href="https://www.instagram.com/lardo.pompeia/">Lardo</a>), o <a href="https://www.instagram.com/pauloprts/">Paulo Portes</a> (ex-<a href="https://www.instagram.com/takkocafesp/">Takk&#248; Caf&#233;</a>) e o <a href="https://www.instagram.com/rodrigoribeirogourmet/">Rodrigo Ribeiro</a>, do <a href="https://www.instagram.com/restaurantedesobremesas/">ARA</a>, s&#243; cozinheiros e confeiteiros que eu j&#225; adoro ou queria conhecer o trabalho.</p><p>Pedro criou tr&#234;s lanches especiais, o escabeche de copa lombo, o steak tartar sando e o sandu&#237;che de ab&#243;bora assada, que foi o meu favorito - e depois descobri que o dele tamb&#233;m. Paulo levou a choux de goiaba e bolo de cereal matinal, que eu j&#225; havia provado em um pop-up de seu antigo projeto, o Puta Doce. Por isso, provei o p&#227;o de banana, passado na chapa para ser aquecido e ganhar uma casquinha delicada e crocante antes de servido com caramelo de miss&#244; e sorvete de macad&#226;mia. E tamb&#233;m a pavlova azedinha, com uma cestinha de suspiro crocante, mas n&#227;o seca e nem doce demais. Do Rodrigo, n&#227;o provei o croissant br&#251;l&#233;e e nem a tortinha folhada de ma&#231;&#227; com alecrim, n&#227;o por falta de vontade, mas de espa&#231;o no est&#244;mago. Queria morar perto o suficiente para devorar todas as op&#231;&#245;es do card&#225;pio especial, dispon&#237;vel at&#233; segunda-feira, 31 de agosto. Ou, melhor ainda, que elas seguissem no card&#225;pio.</p><p>Passamos a tarde comendo, conversando e descobrindo tantas coisas em comum, inclusive, que temos p&#233;s de caf&#233; em casa. Fomos embora s&#243; quando a padaria fechou e cheguei em casa leve e animada para o s&#225;bado. Dormi cedo e acordei a tempo de arrumar a casa antes de sair para a aula de muscula&#231;&#227;o. Quando cheguei ao <a href="https://www.instagram.com/studiojonespersonal/">est&#250;dio</a>, descobri que faria aula com dois cachorrinhos e meu dia ficou infinitamente mais feliz, ainda que eu tenha feito tantos exerc&#237;cios para as pernas. </p><p>Apesar de quentes e secos demais para mim, os dias seguem lindos para correr ao ar livre. Fui ao parque e quase passei mal antes do &#250;ltimo intervalo de corrida, mas respeitei o que meu corpo dizia e parei para descansar antes de terminar o treino. Voltei para casa com tempo somente de me arrumar e sair para a aula de panifica&#231;&#227;o que uma de minhas clientes, a <a href="https://www.instagram.com/leveda.pao/">Leveda</a>, gentilmente ofereceu a mim e a uma colega de trabalho, que, em t&#227;o pouco tempo, virou uma das minhas melhores amigas. Sa&#237; com um levain e uma massa de p&#227;o multigr&#227;os que levei para o meu bar favorito, o <a href="https://www.instagram.com/p.lek.bar/">P&#8217;Lek</a>, onde passei a noite comendo, bebendo, conversando, rindo e observando meu p&#227;o crescer com outras pessoas queridas at&#233; mais tarde do que talvez devesse.</p><p>J&#225; &#233; o pr&#243;ximo domingo. Enquanto escrevo, ainda me sinto cansada e sigo sem muito controle sobre a minha vida.</p><p>Mas eu n&#227;o trocaria essa vida por nada.</p><div><hr></div><p>Se voc&#234; gostou desse texto, n&#227;o deixe de curtir e de enviar para algu&#233;m que possa gostar tamb&#233;m. E, se quiser, deixe um coment&#225;rio ou me mande uma mensagem no <a href="https://www.instagram.com/natms/">Instagram</a> contando que achou. Eu adoraria conversar a respeito com voc&#234;. :)</p><p>E n&#227;o esque&#231;a de assinar o <strong>Cronicamente</strong>! A assinatura &#233; gratuita e, com ela, voc&#234; garante que n&#227;o vai perder nenhuma hist&#243;ria ou recomenda&#231;&#227;o que eu compartilhar por aqui.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.natms.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.natms.com.br/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[começar, de novo]]></title><description><![CDATA[Faz cinco meses que fui diagnosticada com a s&#237;ndrome do esgotamento profissional, o tal do burnout, e demitida da empresa em que trabalhava.]]></description><link>https://www.natms.com.br/p/comecar-de-novo</link><guid isPermaLink="false">https://www.natms.com.br/p/comecar-de-novo</guid><dc:creator><![CDATA[Nathália Monteiro dos Santos]]></dc:creator><pubDate>Sat, 01 Nov 2025 08:39:46 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Faz cinco meses que fui diagnosticada com a s&#237;ndrome do esgotamento profissional, o tal do <em>burnout</em>, e demitida da empresa em que trabalhava. Assim que anunciaram a decis&#227;o, chorei de al&#237;vio. &#201; estranho falar de al&#237;vio ao ter perdido um emprego, mas eu j&#225; estava infeliz h&#225; tanto tempo que n&#227;o consegui sentir outra coisa. Desde ent&#227;o, tenho pensado sobre como passei a vida tentando me encaixar onde eu n&#227;o pertencia. Quando n&#227;o dava certo, surgia um desejo intenso e imposs&#237;vel de recome&#231;o, de voltar no tempo e fazer escolhas melhores, ou, pelo menos, de ir para algum lugar em que ningu&#233;m saberia quem fui e o que vivi, para que eu pudesse ser e viver o que quisesse.</p><p>Eu sentia vergonha. E culpa. Por ter feito tudo errado, a vida toda.</p><p>Apesar de fazer terapia h&#225; muitos anos, foi s&#243; no &#250;ltimo m&#234;s que consegui falar sobre isso. Enquanto elaborava pensamentos e sentimentos, lembrei de quando era pequena. Eu mudava de profiss&#227;o o tempo todo, mas sempre soube que queria ajudar as pessoas. E, apesar de ser boa em quase todas as disciplinas (menos educa&#231;&#227;o f&#237;sica, que quase reprovei uma vez), estudar o corpo humano era o que me fascinava. Decidi que cuidaria da sa&#250;de das pessoas, seria m&#233;dica. Pesquisei qual era a melhor faculdade do pa&#237;s, pedi aos meus pais que me matriculassem em uma escola que me prepararia para o vestibular e, porque ela era cara demais, consegui uma bolsa de estudos. Estudei muito ao longo de todo o ensino m&#233;dio para me manter entre os melhores alunos de minha turma e lidei com as crises de ansiedade e de p&#226;nico que surgiam e se tornavam mais frequentes conforme a prova se aproximava. Fiz tudo o que pude, o melhor que pude. E, mesmo assim, eu falhei.</p><p>Duas vezes, por muito pouco, n&#227;o passei no vestibular e, no ano de minha terceira tentativa, eu n&#227;o suportava a ideia de ser reprovada novamente. Ent&#227;o, desisti do mais importante, o que eu queria fazer, para dar uma chance ao que eu poderia fazer. Foi assim que escolhi o jornalismo. Na faculdade, queria trabalhar escrevendo sobre gastronomia, mas, mesmo j&#225; me especializando no tema, n&#227;o consegui. Foi assim que acabei em <em>start-ups</em>. Essas s&#227;o as minhas primeiras lembran&#231;as de ter desistido de algo importante para mim para tentar n&#227;o sofrer, ou n&#227;o sofrer tanto. E, sem perceber, segui escolhendo menos do que os meus sonhos nos meus estudos, na minha carreira, nos meus relacionamentos, em todas as partes da minha vida.</p><p>At&#233; agora.</p><p>Hoje come&#231;a novembro, o m&#234;s de meu anivers&#225;rio. &#201; o meu dia favorito no ano e, conforme ele se aproxima, borbulham ideias de como comemor&#225;-lo. Normalmente, eu me presenteio com alguma coisa material, talvez uma experi&#234;ncia, mas o fim de um ano t&#227;o dif&#237;cil pede por algo mais especial. Ent&#227;o, eu me dou compaix&#227;o e, se ainda desejo voltar no tempo, n&#227;o &#233; mais para mudar o passado, mas para acolher a menina, adolescente e adulta que fui. Eu me dou perd&#227;o por tudo o que n&#227;o sabia, por tudo o que n&#227;o pude fazer diferente. Eu me dou gratid&#227;o por n&#227;o ter desistido, mesmo quando existir parecia n&#227;o fazer mais sentido, o que aconteceu mais vezes do que eu gosto de admitir. Eu me dou coragem para come&#231;ar outra vez, escolhendo o que eu realmente quiser, sempre que for poss&#237;vel. </p><p>Como fazer isso &#233; o que preciso descobrir. Tenho muitas ideias e escrever sobre a minha vida e sobre o meu amor por comer e beber, &#233; uma delas. &#201; para isso que criei este espa&#231;o, em que quero compartilhar experi&#234;ncias, reflex&#245;es e o que mais me atravessar enquanto, como bem disse minha m&#227;e, vivo para comer. Eu espero que voc&#234; goste e, mais ainda, que minhas palavras te inspirem e te ajudem a ter uma rela&#231;&#227;o cada vez melhor consigo e com o que come.</p><div><hr></div><p>Se voc&#234; gostou desse texto, n&#227;o deixe de curtir e de enviar para algu&#233;m que possa gostar tamb&#233;m. E, se quiser, deixe um coment&#225;rio ou me mande uma mensagem no <a href="https://www.instagram.com/natms/">Instagram</a> contando que achou e o que faria se pudesse come&#231;ar uma vida nova. Eu adoraria saber e conversar a respeito com voc&#234;. :)</p><p>E n&#227;o esque&#231;a de assinar o <strong>Cronicamente</strong>! A assinatura &#233; gratuita e, com ela, voc&#234; garante que n&#227;o vai perder nenhuma hist&#243;ria ou recomenda&#231;&#227;o que eu compartilhar por aqui.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.natms.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.natms.com.br/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>