Sobre
Eu não acho que o mundo precisa de mais uma pessoa falando sobre comida, mas é tudo o que sei fazer.
Minto. Eu sei e posso fazer outras coisas, mas falar sobre comida é tudo o que quero fazer.
Talvez eu sempre soubesse disso. Ainda menina, lembro de estar em um restaurante com meus pais, me servindo de todas as opções disponíveis no bufê, quando percebi minha mãe olhando para o meu prato. “Você não come para viver, vive para comer”, ela disse — e eu concordei. Até hoje, poucas coisas ditas sobre mim foram tão verdadeiras.
Os meus refúgios sempre foram dois: a comida e a palavra. Aos domingos, meu pai saía cedo e voltava para casa com pão fresco, os jornais do dia para ele e um gibi para mim, que líamos juntos durante o café da manhã. Dos gibis, passei para os livros e não demorou para que eu vivesse para comer, ler e escrever. Em segredo, sonhava em ser escritora, enquanto dizia em voz alta outras profissões. Era o começo do conflito entre o que poderia e o que queria ser.
Escolhi as palavras e, em 2013, me formei jornalista pela Universidade de São Paulo. Durante a graduação, me especializei em gastronomia, mas também em comunicação empresarial. Havia muito mais empregos disponíveis em comunicação empresarial do que em jornalismo gastronômico e foi nela que construí minha carreira: no que eu poderia ser, em vez do que eu queria ser. E, apesar de não ser uma pessoa mística ou religiosa, às vezes penso que deve existir mesmo um destino para cada um, porque eu nunca consegui me afastar da gastronomia.
Mesmo trabalhando com outros temas, eu nunca me afastei da gastronomia. Já são duas pós-graduações, perdi as contas de quantos cursos livres ou profissionalizantes e a lista dos que ainda quero fazer é ainda maior. Ao longo dos meus mais de 15 anos de carreira, também fui confeiteira de importantes chefs de São Paulo, como Alex Atala, Jefferson Rueda e Saiko Izawa, mas logo descobri que a vida nas cozinhas não era para mim.
Neste ano, finalmente consegui um trabalho que une a comunicação empresarial ao jornalismo gastronômico, em uma agência de comunicação dedicada a negócios de hospitalidade, e sou mais feliz do que imaginava ser possível trabalhando com o que amo. Agora, quase seis meses depois, eu me pego querendo mais. Querendo descobrir e contar as histórias que eu gostaria de ler sobre os meus lugares favoritos, e torcendo para que as minhas palavras e os meus refúgios encontrem um lugar na sua vida.
